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6 desafios emocionais para as crianças durante a volta às aulas


O período de volta às aulas é sempre acompanhado de certa expectativa e ansiedade por parte das crianças e adolescentes. Alguns já estão mais empolgados porque já se cansaram das férias e sentem saudades. Outros nem tanto, já que com a volta às aulas também voltam as responsabilidades. O fato é que todo começo de ano letivo desperta desafios emocionais diversos, que podem inclusive gerar algum tipo de estresse além do esperado.

A intensidade varia conforme a faixa etária, maturidade e até nível de pressão com o qual eles estão lidando. Às vezes, o que parece simples e prático para os adultos pode envolver, para os mais jovens, um grande momento de decisão e mudanças.

Por isso, os pais precisam ficar atentos para os anseios e medos menos aparentes por trás do que parece ser só mais um começo de ano escolar.  Dessa forma, é possível guiar seus filhos para retomar os estudos com mais segurança e autonomia.

Dê uma olhada nas preocupações mais comuns na volta às aulas.

1. Dificuldade de voltar à rotina

Até para as crianças mais aplicadas as férias são um período de descanso muito valorizado e aguardado durante o ano. Afinal, quem não quer ter momentos de mais liberdade e lazer depois de tantos esforços? O problema é que, quando esse momento se torna confortável demais, a criança pode sentir dificuldade em retornar para as atividades cotidianas.

Assim, o processo de voltas às aulas acaba se tornando pesaroso, principalmente quando os pais não colocam nenhum tipo de limite durantes as férias.

Para evitar que isso aconteça, é importante não deixar de lado algumas regras básicas, como horário para dormir e comer, por exemplo. Também vale estimular atividades extras, como esportes ou hobbies, que podem ajudar a criança a não se deixar levar pela inércia e ainda manter algum senso de responsabilidade.

A forma como eles são orientados durante as férias pode dizer muito sobre o retorno às aulas. Lembre-se: toda mudança muito brusca é sentida com mais intensidade. Se os filhos não perderem o senso de responsabilidade durante a férias, provavelmente a volta às aulas será mais fácil.

Na dúvida, converse com eles e pergunte como estão se sentindo em relação ao novo ano escolar. Às vezes, a desmotivação também pode ter raízes mais profundas.

Se esse for o caso, não descarte a possibilidade de problemas antigos sobre o ano anterior que precisam ser investigados melhor.

2. Escolha do Material Escolar

Quase todo mundo se lembra da empolgação com a compra do material escolar durante a infância. Não à toa, as papelarias se tornam lugares um tanto nostálgicos para os adultos.

Então, para muitas crianças esse momento é um pouco mágico e também traz lá suas expectativas. Não raro, também gera frustrações entre pais e filhos, especialmente quando os pais estão tentando economizar e comprar o material mais prático e econômico possível.

Quando chegam à escola, os alunos também se comparam muito uns com os outros. Aqueles que têm os melhores materiais podem gerar até certo desconforto nos colegas.

Não deixa de ser um momento em que a capacidade de resiliência é testada com relação aos bens materiais, mas também a de humildade em dividir quando for o caso.

Para além do dinheiro, a escolha do material também representa individualidade e até maturidade. Surgem algumas dúvidas que parecem cruciais para eles, como: mochila de costas ou de carrinho?  Caderno ou fichário? Ainda devo levar lancheira?

Vale o cuidado de chegar a um comum acordo conforme a personalidade e o momento de cada um. Eles também precisam ajudar a decidir e, assim, testar a autonomia de escolher, levando em conta prós e contras de seus materiais.

Um exemplo: uma criança que usa fichário precisa ser mais cuidadosa, tanto que o item costuma aparecer apenas durante a fase da adolescência.

Por mais simples que pareçam, na visão de um adulto, essas pequenas escolhas são importantes para estimular o hábito da decisão levando em conta o custo-benefício e o contexto das compras.

Também é testada a compreensão para entender que nem tudo pode ser do seu jeito. O filho não pode exigir um item dos pais só porque o amiguinho da escola comprou.

 

3. Insegurança sobre os desafios da próxima série

Assim como em um jogo, passar de série é como passar de fase e ir para um estágio mais difícil. Portanto, os jovens podem se sentir inseguros sobre os novos desafios em sala de aula.

Eles podem ter medo de não conseguir acompanhar o ritmo e a carga de tarefas, que também costuma ser mais densa. Até porque, quanto mais avançam, maiores serão as responsabilidades e pressões.

O ápice é quando por fim chegam ao último estágio da vida escolar básica, que é o ensino médio, em que terão que lidar com dúvidas sobre carreira e escolha de universidade.

Para ajudar, é importante saber quais são as matérias com as quais eles já possuem maior afinidade e aptidão. Assim, você pode reforçar e incentivar a segurança em suas capacidades.

Já para as matérias com dificuldades, talvez valha algum tipo de reforço ou acompanhamento mais próximo se for o caso.

Porém, antes de qualquer coisa, ajude-os a desenvolver segurança emocional para lidar com as áreas de menor desempenho e não cobre notas além da conta. É natural que eles se destaquem mais em uma matéria do que em outra.  

Não exija que seus filhos sejam nota 10 em tudo, pois esse é um dos maiores motivos para que eles se sintam pressionados.

4. Medo de perder amigos ou não fazer novos

Com a mudança do ano, alunos entram e saem de escolas, ou mesmo mudam de período ou turma. Porém, é natural que, ao longo do tempo, construam-se fortes relações de amizade nas turmas.

Portanto, esses tipos de mudanças, que fogem ao controle dos seus filhos, podem gerar a insegurança de se sentirem deslocados com a perda de amigos.

Quando você é o novato, seja na escola ou até em uma nova turma, há também o receio de não conseguir fazer novos amigos e não se adaptar a outra sala.

Ou seja, será um período delicado. Mais ainda para os tímidos e introvertidos.

Para esse tipo de situação, é difícil interferir de última hora. O ideal é que eles possam desenvolver habilidades sociais desde o início do ensino básico, para que assim cresçam com a desenvoltura necessária para lidar com as transformações e aprender a conhecer gente nova.

5. Escolher o grupo certo de trabalho

As relações da sala de aula são múltiplas e vão além das amizades. Então, outro momento que dá frio na barriga é a hora de escolher os grupos de trabalho.

Mesmo que esses grupos não tenham que ser permanentes, eles costumam se manter parecidos até o final do ano e por isso sempre existe o medo de escolher as pessoas erradas no começo e ter que “seguir” com elas por um bom tempo.

Seja porque alguém tenha um perfil mais preguiçoso e deixe tudo para os colegas fazerem ou até por diferenças de personalidade, conviver com o grupo pode ser uma tarefa complicada. Se o(a) professor(a) for escolher, então, nem se fale! O medo aumenta ainda mais por ter que interagir com gente diferente.

E aí entra o desafio de precisar se enturmar para não ficar de fora. Além disso, também é preciso saber aceitar pessoas novas se o seu filho já tiver um grupinho estabelecido.

Nessas horas, quem que sai melhor são os flexíveis e com níveis mais elevados de tolerância e aceitação das diferenças. Não há dúvidas de que a escola é o melhor treinamento para começar a lidar com elas.

Desde cedo, é preciso entender que, quando se trata de desenvolver qualquer tipo de trabalho ou projeto, não é só amizade que se leva em conta.

É preciso aprender a cumprir desafios e desenvolver tarefas com pessoas completamente diferentes, porque é basicamente com isso que vão ter que lidar na vida adulta.

6. Desafios emocionais de lidar com bullying

Só quem sofre ou já sofreu com bullying sabe o quanto esse tipo de comportamento pode afetar a autoestima.

Infelizmente, isso é algo que muitas crianças e adolescentes sofrem em silêncio, sem conhecimento dos pais. O que acontece é que, da mesma forma que existe o medo de perder o contato com colegas queridos com o início do novo ano letivo, há também muita insegurança em reencontrar outros que praticam bullying.

Os pais precisam ficar de olho para perceber se existe alguma tensão em voltar para a escola e o quanto ela está relacionada com a atitude de outros colegas.

Se for mesmo esse o caso, a escola precisa estar ciente da situação e atuar o mais rápido possível para que o quadro não se agrave.

O mais importante é prestar atenção em todos esses desafios que podem estar mexendo com a estabilidade emocional das crianças e adolescentes durante o período de volta às aulas.

Os pais e educadores precisam se manter presentes e abertos ao diálogo ao invés de julgar essas preocupações como frescura de criança. Lembre-se de que o universo deles é outro nesse momento.

Inclusive, se você parar para pensar no próprio período escolar, provavelmente vai ser lembrar de muitos desses desafios emocionais. Você pode até  aproveitar para compartilhar suas próprias experiências durante a época da escola. Pode ser uma conversa não só motivacional, mas também divertida!


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