O que fazer para ajudar seu filho a estudar? Estratégias para autonomia e sucesso escolar
Desenvolver um bom currículo do lar é a melhor forma de ajudar o seu filho a estudar. Ele é o conjunto de hábitos que acontecem dentro de casa e ajudam as crianças a entender a matéria.
O método funciona tão bem que, segundo a Unesco, é a maior influência no sucesso acadêmico individual das crianças.Quando a criança tem um ambiente saudável, o aprendizado fica mais simples, mesmo naquelas tarefas difíceis, sobre temas que os pais nem aprenderam ou já não lembram mais.
Segundo a ciência, o melhor jeito de apoiar os filhos é investindo em mediação e fortalecimento de vínculos, não em supervisionar cada linha escrita no caderno. Neste texto, você aprenderá como desenvolver o currículo do lar dessa forma.
A ciência do apoio: o conceito de scaffolding (andaime)
O termo scaffolding vem da construção civil. Um andaime sustenta a estrutura enquanto ela está sendo construída, e é removida conforme a construção fica mais sólida. Para ajudar seu filho a estudar, a lógica é a mesma. O adulto fornece suporte temporário, enquanto a autonomia do aluno vai sendo desenvolvida.
O Center on the Developing Child, da Universidade de Harvard, descreve esse processo em quatro etapas, que você pode aplicar em casa:
- Modelar e fazer junto: o adulto mostra como fazer e realiza junto com a criança;
- Guiar enquanto a criança faz: a criança executa, enquanto o adulto acompanha e orienta quando necessário, sem antecipar respostas;
- Monitorar: o adulto fica só acompanhando, mas reduz a intervenção;
- Afastar-se: a criança trabalha de forma independente e pede ajuda quando sentir que precisa.
Essa progressão protege algo fundamental: a confiança na capacidade de aprender.
Se você der as respostas para o seu filho, ou entregar tudo pronto, ela aprende a depender de você para resolver problemas, em vez de desenvolver estratégias próprias.
Além de ajudar com o conteúdo em si, você pode estimular o raciocínio. Perguntas como “o que você já sabe sobre isso?” ou “por onde você acha que pode começar?” e podem ser o ponto de partida para o método de andaime.
Estimulando o “motor cerebral”: funções executivas na escola e em casa
Funções executivas são habilidades cognitivas como foco, planejamento, controle de impulsos e memórias de trabalho. Elas são o motor do cérebro porque ajudam a organizar o pensamento (e, por consequência, impulsionar os estudos).
Ao ajudar o seu filho a estudar, você contribui para que ele desenvolva essas habilidades mesmo quando estão fora da escola.
Montar uma rotina de estudos é uma das principais atividades. Você não deve impor, e sim ajudar a criança a organizar seu próprio cronograma. Invista no seguinte:
- Lista de tarefas escritas pela criança: registro do que precisa ser feito. Assim, em vez de ficar lembrando, basta ela olhar o papel;
- Ambiente sem distrações: telas desligadas, barulho controlado e espaço organizado indicam ao cérebro que é hora de manter o foco;
- Definição de prioridades: ensine a decidir o que fazer primeiro. Pode ser o mais fácil, para terminar logo, ou o mais importante, para gastar a energia com o que é crucial.
O Método do Semáforo, desenvolvido pelo Programa Mente Inovadora da Mind Lab, oferece uma estrutura simples para iniciar a rotina diária de estudos. Ele tem três momentos bem definidos:
- Pare (observe a situação e colete as informações relevantes);
- Pense (analise as possibilidades antes de agir);
- Aja (execute com atenção e responsabilidade).
Siga esses passos junto do seu filho antes de começar a sessão de estudos, para que ele entre no ritmo cedo.
Métodos metacognitivos: ferramentas do programa MenteInovadora
Metacognição é a capacidade de pensar sobre o próprio pensamento. É uma das habilidades mais importantes para aprender com eficiência, porque a partir dela você consegue entender o que realmente sabe, o que só decorou e o que precisa para avançar.
Para ajudar seu filho a estudar, você também precisa trabalhar essa competência. A Mind Lab desenvolve métodos metacognitivos que professores usam em sala de aula e também podem ser aplicados pelos pais, principalmente quando a tarefa parece grande demais ou quando a criança não sabe por onde começar.
No primeiro caso, temos o Método da Escada. Ele orienta a criança a identificar a sequência de passos para terminar a tarefa. Por exemplo, se a atividade for uma redação, você pode ensinar seu filho a dividir os momentos: pensar no tema, escolher os argumentos, organizar os tópicos e só depois escrever.
Para a segunda situação, o Método do Detetive funciona bem. Ele ensina a fazer perguntas sobre a atividade, para ir desvendando aos poucos. Por exemplo, qual é o objetivo? Quais informações estão disponíveis? Qual informação é melhor para começar? O papel dos pais é ensinar a criança a formular as perguntas, não responder por ela.
Esses métodos funcionam como simuladores de desafios reais. Em um ambiente controlado e seguro para estudar, a criança aprende, depois aplica em todo tipo de atividade. Ou seja, é um método que “ensina a aprender”.
Mentalidade de crescimento: o poder do elogio
Carol Dweck, pesquisadora da Universidade de Stanford, identificou dois padrões de crença sobre a inteligência: a fixa e a de crescimento.
A mentalidade fixa trata a inteligência como algo fixo, que você tem ou não tem. Elogiar a inteligência, com frases como “nossa, você é muito inteligente”, reforça esse padrão. Isso pode fazer com que a criança evite os desafios, pelo medo de perder essa característica caso falhe.
Já a mentalidade de crescimento é o oposto: trata a inteligência como algo que pode ser obtido com esforço e estratégia. Elogiar o trabalho duro reforça esse padrão e cria disposição para enfrentar tarefas difíceis, o que desenvolve a inteligência.
Portanto, elogiar do jeito certo também faz parte do processo de ajudar seu filho a estudar.
Os dois jeitos mais simples de fazer isso são:
- Elogie o que seu filho de fato fez: troque o “você é muito bom nisso” por “”você se dedicou muito a resolver esse problema, estou orgulhoso”;
- Tenha atenção ao pontuar erros: troque o “você errou” por “você ainda não chegou lá”.
Essa abordagem naturaliza o erro e o esforço para superá-lo. Assim, você ensina para a criança que não tem problema errar, que acontece, e que faz parte da jornada.
Ao trabalhar a mentalidade de crescimento, você contribui também para o desenvolvimento socioemocional em casa. Ou seja, você prepara seu filho para lidar melhor com as emoções e com a relação com os demais, o que tem efeitos positivos diretos no aprendizado.
O lar como extensão do aprendizado
Ajudar seu filho a estudar em casa potencializa o que ele aprende na escola. E, quando ele tem um espaço dedicado em casa e conta com o apoio dos pais, aprende muito mais.
Investindo nesse “currículo do lar” de forma duradoura, você verá vários benefícios: seu filho com mais vontade de estudar, com notas melhores, e com uma relação ainda mais saudável com você.
E tudo isso sem precisar ficar vigiando a hora da lição de casa!
#PrecisamosFalarSobreIsso
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